Aloizio Mercadante afirma que extrema direita brasileira carece de visão de integração regional

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Aloizio Mercadante durante apresentação do estudo “Diálogo de Alto Nível” na sede do BNDES, no Rio de Janeiro (Foto: Instagram)

Durante o lançamento de um estudo sobre as oportunidades na América Latina, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, criticou a postura da extrema direita no Brasil, avaliando que esse segmento carece de uma compreensão mais ampla sobre integração regional. Para ele, essa visão é essencial para fortalecer a cooperação em defesa, energia e infraestrutura, bem como impulsionar o comércio e o turismo entre os países latino-americanos.
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O estudo intitulado “Diálogo de Alto Nível: Oportunidades para a América Latina e o Caribe na Nova Era Geopolítica” foi apresentado na sede do banco, no centro do Rio de Janeiro. Mercadante enfatizou que a integração regional pode avançar em áreas como defesa, com cooperação em aeronaves e submarinos; energia, com o desenvolvimento de biocombustíveis; e infraestrutura, por meio de estradas e ferrovias capazes de articular as cadeias de valor locais.
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O presidente do BNDES lembrou que, após um “tarifaço” que elevou tarifas para 50% e provocou queda de cerca de 15% nas exportações brasileiras para os EUA, surgiu um grupo que passou a usar bonés com o slogan “MAGA – Make America Great Again” e a exibir a bandeira americana, adotando simbolismos ligados a Donald Trump. Para Mercadante, esse comportamento demonstra a perda de noção do interesse nacional e do compromisso com a soberania regional.

“Não podemos abdicar da liberdade para tomar decisões e trilhar nosso próprio caminho enquanto região”, declarou o executivo, ao ressaltar a importância de o Brasil trabalhar para “internalizar mais valor agregado” em seus produtos e serviços. Ele acrescentou que é preciso manter serenidade e equilíbrio, pois a integração produtiva oferece suporte à diplomacia, à estabilidade política e à paz, beneficiando todas as nações envolvidas.

Ainda durante o evento, Mercadante fez uma analogia entre diferentes símbolos regionais. Ele criticou a visão de que “o símbolo é uma motosserra”, contrapondo-a à proposta do BNDES, em que “o símbolo é o restauro”, ideia que reflete a valorização dos recursos locais e a recuperação de ativos estratégicos.

Por fim, o presidente anunciou a criação de um novo centro de estudos no BNDES dedicado à gestão do futebol, entendendo o esporte como um ativo de soft power e parte fundamental da identidade cultural brasileira. “Precisamos resgatar esse patrimônio com regras de governança claras para os clubes”, concluiu.