
Estátua da Justiça em frente ao STF, em Brasília (Foto: Instagram)
A crise em torno das investigações do Banco Master ganhou contornos públicos no Supremo Tribunal Federal, com ministros da Corte trocando críticas formais. O embate se intensificou após decisões sobre sigilos de documentos, gerando ofícios provando um clima de desconfiança entre os magistrados.
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O atrito veio à tona quando o presidente do STF, Edson Fachin, ordenou a retirada de sigilo de papéis relacionados ao caso Master. A partir daí, Alexandre de Moraes e André Mendonça passaram a discordar sobre o volume de informações a serem liberadas e a forma de publicação. Enquanto Moraes defende maior transparência, Mendonça ressalta a necessidade de proteger investigações em curso.
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O principal confronto aconteceu em ofício de Moraes a Fachin, no qual o ministro acusou Mendonça de realizar uma “seleção criteriosa” na soltura de documentos. Moraes apontou que cerca de 180 procedimentos ainda seguiam sob sigilo, contrariando a determinação de ampliar a publicidade dos autos. Para ele, essa escolha limita o acesso do plenário a informações relevantes sobre o andamento das apurações.
Em resposta, André Mendonça declarou ter cumprido fielmente a ordem, promovendo a desclassificação de 14 expedientes além do processo principal. Segundo o ministro, as informações preservadas são essenciais para proteger diligências sigilosas e garantir a eficácia de medidas investigatórias em curso. Na mesma toada, Cristiano Zanin ingressou com pedido para acessar na íntegra o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, apreendido pela Polícia Federal.
O pleito de Zanin ganhou destaque porque o aparelho detinha 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e um número identificado como pertencente a Alexandre de Moraes, dados que podem trazer à tona ligações diretas com o magistrado. Além desse episódio, Moraes requereu que Fachin unificasse o julgamento dos processos que envolvem sua atuação e as decisões de Mendonça, argumentando que as matérias são conexas e demandam análise conjunta para evitar resultados contraditórios.
Diante da crescente tensão e dos potenciais embates internos, o presidente Edson Fachin decidiu avocar para si várias decisões envolvendo os ministros, evitando assim interpretações divergentes até o julgamento plenário previsto para 15 de setembro. A medida também incluiu a suspensão de atos na Polícia Federal, depois que André Mendonça havia ordenado o afastamento do diretor-geral Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Leandro Almada, ambos reintegrados por intervenção de Flávio Dino antes de Fachin intervir.






