CNI aponta 21 meses de desconfiança na indústria, maior período desde 2015

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Indústria brasileira vive maior período de pessimismo desde 2015 (Foto: Instagram)

O estudo divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (14) mostra que a indústria brasileira completou 21 meses consecutivos sem confiança na atividade industrial ou na economia nacional, configurando o maior período de pessimismo desde 2015. Segundo a entidade, esse nível de desconfiança prolongada afeta decisões estratégicas das empresas, em especial contratações, investimentos e planejamento de produção, e indica ceticismo generalizado em todas as regiões e segmentos.

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Em setembro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) registrou queda de 1,4 ponto, passando de 46,3 para 44,9 pontos. Considerado abaixo dos 50 pontos que separam otimismo e pessimismo, esse resultado aponta para o sentimento negativo dos empresários frente ao cenário atual e às previsões para os próximos seis meses. “A diminuição foi observada em todos os componentes do índice, mas chamou atenção o recuo na percepção sobre a economia brasileira, cujo nível já estava muito abaixo da linha divisória”, ressaltou Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

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Dentro do indicador, o subíndice de Condições Atuais sofreu redução de 2,5 pontos, saindo de 42,7 para 40,2 pontos. A percepção sobre a economia do país registrou o pior desempenho, caindo 3,6 pontos ao passar de 36,6 pontos em agosto para 33,0 pontos em setembro. Por sua vez, a avaliação das condições das próprias empresas também sofreu deterioração, com queda de 1,9 ponto, de 45,7 para 43,8 pontos, o que indica receio quanto ao desempenho operacional e financeiro no curto prazo.

O Índice de Expectativas apresentou retração de 0,9 ponto, reduzindo-se de 48,1 para 47,2 pontos. Os empresários mostraram-se ainda mais cautelosos em relação ao futuro da economia, que teve queda de 0,6 ponto, ao passar de 39,7 para 39,1 pontos. Além disso, as perspectivas para as próprias empresas arrefeceram 1,0 ponto, de 52,3 para 51,3, sugerindo que as expectativas de melhoria em médio prazo tendem a se manter tímidas diante de incertezas macroeconômicas e políticas.

Marcelo Azevedo enfatizou que, mesmo com eventuais flutuações positivas registradas em alguns meses de 2026, os índices permaneceram majoritariamente abaixo da linha divisória, sem reverter o quadro de pessimismo. De acordo com o gerente da CNI, a continuidade desse clima de desconfiança entre os empresários industriais pode reforçar a adoção de estratégias mais conservadoras, postergando novas contratações, investimentos em maquinário ou expansão de capacidades, impactando a dinamização do setor.

A pesquisa consultou 1.186 empresas entre 1° e 8 de setembro de 2026, abrangendo 475 companhias de pequeno porte, 441 médias e 270 grandes, localizadas em todas as regiões do país. O levantamento faz parte de uma série histórica iniciada em 2015 pela CNI, que monitora mensalmente a percepção dos empresários sobre o momento atual e as expectativas para os próximos seis meses no setor industrial brasileiro.