
Primeira-ministra Sanae Takaichi durante anúncio da reforma ministerial no Japão (Foto: Instagram)
Em uma tentativa de reverter a queda de aprovação, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, promoveu nesta quinta-feira uma reforma ministerial que substituiu 10 dos 18 ministros do gabinete. O objetivo é amenizar o descontentamento popular provocado por medidas econômicas impopulares e tensões sociais, além de sinalizar novo fôlego político. A mudança busca demonstrar ação diante de críticas e dar novo impulso à liderança de Takaichi.
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A troca parcial ocorre num momento de pressão externa também considerável: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exige que o Japão eleve os gastos em defesa, amplie investimentos no território americano e adote iniciativas para conter a desvalorização do iene. Para equilibrar essas demandas, Takaichi optou por manter figuras centrais do governo, preservando a estabilidade da relação bilateral com Washington.
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Entre os nomes confirmados em seus cargos estão o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, e o chanceler Toshimitsu Motegi, ambos considerados adversários internos de Takaichi e fundamentais para assegurar o apoio dos EUA. Permaneceu também a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, aliada próxima da premiê; o ministro de Política Econômica e Fiscal, Minoru Kiuchi; e o titular do Comércio Exterior, Ryosei Akazawa, que enfrenta demandas americanas sobre tarifas e investimentos.
No Partido Liberal Democrata (PLD), a primeira-ministra reforçou seu núcleo de aliados ao manter o ex-primeiro-ministro Taro Aso como vice-presidente da legenda e assegurar a permanência de Takayuki Kobayashi no comando do conselho de pesquisa de políticas. A manobra visa fortalecer sua base interna, equilibrar facções e sinalizar continuidade política, enquanto busca retomar a confiança do eleitorado.
Essa é a primeira grande reformulação de ministros desde que Takaichi, representante da ala mais conservadora do PLD, assumiu em outubro, tornando-se a primeira mulher a liderar o Japão na era moderna. Após meses de alta popularidade, conquistada por um estilo direto e apelo entre jovens, sua avaliação caiu ao defender temas polêmicos, como a sucessão imperial apenas via descendência masculina, num contexto de inflação que pressionava as famílias.
No plano econômico, as propostas de Takaichi para reduzir o impacto do custo de vida – cortar o imposto sobre o consumo de 8% para 1% por dois anos e conceder pagamentos diretos a lares – dividiram o PLD e geraram alertas sobre a saúde das contas públicas. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, chegou a criticar iniciativas que beneficiam o iene fraco e mantêm juros baixos no país.
Em relação ao cenário externo, a premiê reafirmou que o Japão busca manter laços "estáveis e construtivos" com a China, apesar de tensões surgidas após declarações sobre Taiwan feitas no ano passado. Takaichi deve viajar em breve a Nova York para a Assembleia Geral da ONU e tenta agendar um encontro com Trump antes da reunião marcada para 24 de setembro entre o presidente americano e Xi Jinping.






