Cade aprova sem restrições compra da Desktop pela Claro

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Sede do Cade em Brasília: órgão aprova aquisição da operadora Desktop pela Claro sem restrições (Foto: Instagram)

A Superintendência-Geral do Cade autorizou, sem impor condições, a aquisição da operadora Desktop pela Claro. O órgão concluiu que a transação não deve resultar em abuso de poder econômico, mesmo em regiões onde a participação de mercado combinada das empresas é elevada.

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O estudo técnico apontou que a principal área de sobreposição entre Claro e Desktop ocorre no segmento de banda larga fixa, abrangendo 198 municípios. Embora as fatias de mercado conjuntas sejam expressivas em muitas dessas localidades, a chance de a nova controladora explorar unilateralmente seu poder econômico foi considerada baixa.

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De acordo com o Cade, as atuais condições de entrada, a rivalidade existente e a contestabilidade do setor são suficientes para conter eventuais riscos concorrenciais. O órgão também levou em conta a infraestrutura de redes disponível e a presença de concorrentes, tanto locais quanto nacionais, capazes de manter o nível de competição.

A análise adicional indicou que a Claro terá incentivos para desativar de forma gradual qualquer infraestrutura duplicada herdada da Desktop, evitando sobreposições desnecessárias de rede. Essa medida reforça o entendimento de que a operação não deteriorará a dinâmica do mercado.

A Desktop possui cerca de 1,2 milhão de assinantes em 198 municípios paulistas, o que corresponde a 7,6% do mercado de banda larga fixa no Estado de São Paulo. Já a Claro detém 4,5 milhões de clientes no mesmo segmento em São Paulo, equivalente a 28,3%, enquanto a Vivo lidera com 4,9 milhões de contratos (31%). Em maio, a Anatel concedeu aval prévio para a compra.

Em outubro de 2025, após circularem notícias sobre as negociações, a Anatel realizou análise preliminar e levantou preocupações sobre possíveis impactos negativos à concorrência e à entrada de novos players. Mesmo assim, em março deste ano, Claro e Desktop formalizaram a transação no valor total de R$ 4 bilhões — R$ 2,4 bilhões referentes a ativos e R$ 1,6 bilhão à dívida líquida assumida.

Os atuais acionistas vendedores incluem o fundo Makalu Brasil Partners, ligado à americana HIG Capital, e um grupo de sócios, entre eles o fundador Denio Alves Lindo. A operação concedeu à Claro 84 milhões de ações ordinárias da Desktop, o que equivale a 73% do capital social. Em uma fase subsequente, a Claro planeja lançar oferta para adquirir os 27% restantes em circulação.